Contam os antigos que, Odé Igbò se apaixonou por uma moça de grande beleza, esta jovem moça nascida gemeas com um menino que não vingara, era filha de Ypondá com Erinlé, e chamava-se Otinm a Iyágbá que habitava o ‘ôco’ das árvores...
Melhor dizendo: apaixonaram-se.
Odé Igbò, o Caçador que habita o Ilè Igbò Akú, o aprendiz de magias de Obaluwaiyè, resolveu pedir em casamento a bela caçadora, o pai dela então perguntou:
- Que provas podes dar da tua força para pretenderes a mão da Caçadora mais hábil e bela?
- As provas do meu amor! - respondeu Igbò.
Erinlé gostou da resposta, mas achou o jovem muito afôito. Então disse:
- O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia.
- Eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei. Toda a tribo se espantou com a coragem do jovem apaixonado. Erinlé ordenou que se desse início à prova. Enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram, dia e noite, vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. Porém o mestre de Igbò (Obaluwaiye) orientou que o mesmo tomasse uma banho com o ‘Amó tité’ (barro sagrado encontrado nas profundezas do rio Ilobú).
Otín apaixonada chorou e implorou à deusa ‘Oxupá’ que o mantivesse vivo, para ser o seu amor. O tempo foi passando, passando ... e certa manhã, a filha pediu ao pai:
- Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer! Erinlé respondeu:
- Ele é arrogante. Falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece.
E esperou até a última hora do novo dia e então ordenou:
- Vamos ver o que resta do arrogante Igbò. Quando abriram o couro da anta, Igbò saltou ligeiro. E de seu corpo caíam placas de barro secas, seus olhos brilhavam e seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e cheirava a perfume de amêndoa. Na aldeia todos se espantaram, e ficaram mais estupefatos ainda quando o Caçador, ao ver a sua amada, pôs-se a trinar com os lábios feito um pássaro, enquanto o seu corpo, aos poucos, ia se transformando em um corpo de pássaro. E exatamente naquele momento os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em pássaro.
Então, ela saiu voando atrás de Igbò, que a chamava para a floresta, onde desapareceram para sempre. Contam os antigos que foi assim que nasceu o pássaro joão-de-barro. A prova do grande amor que uniu esses dois jovens está no cuidado com que constroem a sua casa e protegem os seus filhotes.
E nós cultuadores de Orisá e Omó Ketus habitualmente e tradicionalmente colocamos a casa de joão de barro proximo ao Ojubó de Odé Igbo e dentro do assentamento de Iyágbá Otin onde o okutá dela é escondido. E peço mesmo motivo quando sofremos por coisas do coração são a estes orixas que recorremos para o acEite e união!
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